Quem é Esse Guairense? A nova série de entrevistas do JRP

Quem é Esse Guairense? A nova série de entrevistas do JRP

 Jornal Rio Paranazão e o site Rio Paranazão News, darão início a uma nova série de entrevistas com personalidades da nossa cidade.

Guaíra é um lugar que possui inúmeras pessoas queridas por muitos, pessoas que tem histórias para contar.

A nova série de entrevistas do Jornal Rio Paranazão, cujo título é “Quem é Esse Guairense?”, irá trazer ao leitor, pessoas do nosso dia a dia, e também, pessoas que ajudaram a formar e a moldar nossa cidade.

As entrevistas poderão ser conferidas no jornal impresso e no site www.rioparanazaonews.com.br. Fique ligado e acompanhe quem será o guairense da vez!

E para darmos o pontapé inicial, entrevistamos o atual vice-prefeito e secretário da SEMAIN, Luís Carlos Lima, o “Luís Ferroquina”.

Acompanhe abaixo o papo que tivemos com Luís, onde ele nos contou um pouco da vida, infância, carreira política, entre outros assuntos.

Vamos começar essa série de histórias com você. Conte um pouco da sua origem: onde nasceu e qual é a sua função atualmente?

Meu nome é Luís Carlos Lima, mas sou mais conhecido como Ferroquina, apelido que vem do meu pai, o “Ferroquina Pai”, uma figura muito conhecida aqui em Guaíra. Nasci em 10 de novembro de 1976, no antigo Hospital São Lucas, onde hoje funciona o Neote Eventos. Atualmente, exerço duas funções importantes no município: estou vice-prefeito e também secretário de Agropecuária, Infraestrutura e Meio Ambiente.

Você passou toda a infância em Guaíra?

Sim, minha infância e juventude foram no Cruzeirinho, onde moro até hoje. Meu pai já morava lá quando nasci, e desde então minha vida esteve ligada àquela comunidade. Casei, formei minha família ali e sigo há 48 anos vivendo no mesmo bairro. Cheguei a morar um tempo em Maringá, quando tinha 18 anos, mas foi uma passagem breve. A maior parte da minha história está aqui mesmo, em Guaíra.

E a questão da política, Ferro, como é que se deu a tua entrada na política?

Olha, na verdade, o político da família sempre foi meu pai. Ele sempre acompanhou a política de perto — e acompanha até hoje. Com seus 73 anos, continua ativo, acompanhando tudo. Ele foi candidato, se não me falha a memória, quatro vezes. Dessas, duas ele foi eleito vereador — e reeleito depois.

Eu sempre estive ao lado dele, mas nos bastidores. Coordenava a campanha dele, ajudava também na campanha de prefeitos, junto com toda a estrutura do grupo político que a gente fazia parte na época. Então sempre ali, nos bastidores. Nunca pensei em mim como candidato, como alguém que seria eleito um dia.

Aí, em 2014, veio um convite de uma pessoa que considero um dos meus padrinhos políticos, depois do meu pai — o ex-prefeito Fabian Vendruscolo. Ele me chamou para trabalhar na prefeitura. Aceitei o convite e vim trabalhar, inclusive, aqui no CAM. Naquele tempo, as secretarias ainda não eram unificadas, mas já era a Secretaria de Infraestrutura.

O Fabian me convidou, e eu comecei como assessor da secretaria. Depois de um ano, já em 2015, ele me chamou no gabinete e disse: “Você superou as expectativas, mostrou que é do grupo, que é parceiro, e pela tua capacidade de entrega, merece assumir a diretoria.” Aí fui nomeado diretor de Urbanismo, recebendo mais algumas missões. E assim segui como diretor de Urbanismo até o fim do mandato.

Depois veio a eleição do Heraldo, em 2016. A chapa Heraldo Trento e Beto Salamanca venceu e assumiu em 2017. E aí veio o convite do Heraldo para eu assumir a diretoria de Obras do município. Confesso que ali gelou a espinha. Na conversa, eu disse: “Mas, prefeito, diretor de obras do município? Isso não é muito a minha vibe…”

Eu entendia de obra no sentido de construir minha casa, algumas construções em área rural que a gente acompanhava. Mas cuidar de pavimentação, de galerias, era outro nível. E lembro como se fosse hoje o que o Heraldo me disse: “Cara, você é a pessoa que o grupo escolheu para essa função. A gente vê em você capacidade. Ninguém nasce sabendo. Se você tiver interesse em aprender, a gente caminha junto.”

E eu nunca fui de fugir de desafio. Tanto na iniciativa privada quanto na vida pública. Aí pedi alguns dias para pensar. O Heraldo me apresentou três cursos para fazer. Escolhi um da New Holland, uma das maiores empresas de consultoria em pavimentação do Brasil. Fui para Curitiba, passei uma semana trancado numa sala com 12 engenheiros civis. Eu era o único ali que não era engenheiro.

No fim do curso, até brinquei com o professor: “Parazer, eu sou o Bill da história.” O Bill era aquele personagem que não era engenheiro, mas trazia solução para tudo.

Quando voltei, falei pro Heraldo: “Me dá 60 dias para mostrar o meu jeito de trabalhar. Se o senhor achar que tá bom, a gente segue. Se não, tudo certo — eu volto para casa ou vejo outro lugar, porque talvez a diretoria de obras não seja para mim.”

Graças a Deus, deu certo. Sempre trilhei o caminho do trabalho em equipe, nunca fui de me achar o dono da verdade. Recebi a diretoria de obras com uma galera boa, os colaboradores servidores de carreira. Falei para equipe: “Eu não vim aqui para inventar a roda, a roda já existe. Eu quero é trabalhar, e trabalhar junto com vocês. Vamos fazer o melhor pela cidade.”

Estimulei os colaboradores com essa ideia e eles compararam a ideia comigo. Comecei também a trazer estagiários de engenharia, porque é aquela velha história: eu não sou formado, mas trago o formado pro meu lado. Montamos essa equipe lá em 2017, e é essa mesma equipe que está até hoje cuidando da pavimentação do município.

E dentro de tudo isso, o que me dá mais orgulho é ver o Luís Ferroquina, nascido lá no Cruzeirinho, uma comunidadezinha simples, fazer parte — junto com o governo do Heraldo e com toda a equipe — do maior plano de pavimentação já visto em Guaíra.

É claro que o mérito não é só meu. É de toda a equipe da prefeitura, dos secretários que deram estrutura, das outras secretarias que ajudaram, e do Heraldo que correu atrás dos recursos. Se você pegar esse período de oito anos, entre pavimentações novas, recuperações e manutenções, foram em torno de 200 quilômetros. É muita coisa!

E quando falo em pavimentação, falo de tudo: sextavado, pedra poliédrica, bloco, microrevestimento, asfalto novo em CBUQ. E agora seguimos nessa mesma pegada, dando continuidade.

E a experiência no Legislativo?

Fui eleito vereador em 2020 pelo DEM, sendo o segundo mais votado da cidade e o mais votado dentro do nosso grupo político. Logo após assumir, recebi o convite do prefeito Heraldo para me licenciar e assumir a Secretaria de Infraestrutura, o que foi alinhado com minha base. Sempre deixei claro durante a campanha que, se surgisse uma oportunidade no Executivo, eu consultaria os apoiadores. A resposta foi positiva e assumi o compromisso. Fiquei no cargo por mais de três anos, e em 2024 retornei à Câmara para concorrer como vice-prefeito na chapa do Gile.

Ferroquina, vamos falar, então, um pouquinho sobre as demandas da SEMAIN. Como está, de maneira geral?

Olha, a SEMAIN é uma secretaria muito especial. Claro, todas as secretarias são essenciais para o município de Guaíra — hoje temos 11 no total — mas a SEMAIN é diferenciada. Eu costumo dizer que ela equivale a três secretarias em uma só: Agropecuária, Infraestrutura e Meio Ambiente.

Dentro dela, existem seis diretorias que dão conta de toda essa estrutura. Para você ter ideia da complexidade: tudo que se fala de agricultura, passa pela SEMAIN; tudo que envolve infraestrutura, também; e o que é referente ao meio ambiente, idem.

As seis diretorias que compõem a secretaria são: Limpeza Pública, Obras, Agricultura, Estradas e Rodagem, Meio Ambiente e Urbanismo. Cada uma tem sua equipe própria e suas funções específicas. Mas, quando necessário, a gente une os esforços — todo mundo se junta para agilizar o serviço.

É aí que entram os mutirões. Por exemplo: se tem um cascalhamento numa estrada rural, não vai só o pessoal das estradas e rodagem. Vai também a equipe das obras, vai maquinário pesado, caminhões… Já tivemos situações com 8 a 10 caminhões trabalhando junto com 5 ou 6 máquinas. É essa união que torna a SEMAIN tão dinâmica.

Mas, claro, as demandas são muitas.

Na limpeza pública, por exemplo, somos responsáveis pela coleta do lixo orgânico — aquele lixo que você coloca na frente da sua casa todos os dias — pela coleta de entulhos, pelo aterro sanitário, pelo bota-fora e também pela varrição das ruas com o caminhão vassoura. Inclusive, o município acabou de adquirir um novo caminhão que deve ser entregue nos próximos dias, para melhorar ainda mais esse serviço.

Saindo da limpeza pública, temos a Diretoria de Obras. Ela cuida da pavimentação, de galerias fluviais, de pequenos reparos urbanos… É um setor com uma equipe muito grande, porque atende toda a infraestrutura urbana e parte da rural também. É ali que ficam os engenheiros responsáveis por projetos e por toda a parte técnica.

Quando se fala em estradas rurais, temos a Diretoria de Estradas e Rodagem, que é a responsável pela manutenção de cerca de 465 quilômetros de vias na zona rural. Um trabalho constante.

Já a Diretoria de Agricultura é a que está mais próxima do produtor rural. Ela cuida dos incentivos e projetos voltados à agricultura familiar, pequenos e médios produtores. Também atuamos com abastecimento de água, saneamento rural, pulverização, abastecedores comunitários, enfim — tudo que envolve o campo está dentro dessa diretoria.

O Urbanismo, por sua vez, é responsável por toda a parte estética da cidade: poda e corte de árvores, corte de grama, manutenção e limpeza das paraças, pintura de meio-fio… É o setor que cuida da “cara” da cidade.

E por fim, temos a Diretoria de Meio Ambiente. É ela quem cuida de tudo que envolve licenciamento ambiental, tanto de obras públicas quanto privadas. Por exemplo: quer cortar ou podar uma árvore na frente da sua casa? Precisa de licença ambiental, e é nossa equipe que emite. Em alguns casos, quando a licença depende do IAT (Instituto Água e Terra), do Estado, nossa equipe também acompanha e orienta o cidadão.

Além disso, a equipe do Meio Ambiente também dá suporte ao Urbanismo. Para fazer uma poda ou corte, é preciso ter um laudo técnico emitido por nossos especialistas. Isso vale tanto para o poder público quanto para os particulares.

Cuidamos também do gerenciamento do aterro sanitário. E eu sempre incentivo nossa equipe a buscar soluções sustentáveis para o município, somando isso com educação ambiental.

Temos ainda o Centro de Atenção Animal, o Canil Municipal, e a UVR — Unidade de Valorização de Recicláveis — que funciona em parceria com a cooperativa de recicladores. Esse trabalho com os recicláveis é extremamente importante para a cidade.

Sobre a questão das obras, há várias acontecendo no município. Acho que duas, em especial, têm chamado bastante atenção da população: a da Rua Oswaldo Cruz e a do Hospital Regional. Como está o andamento dessas obras?

Olha, se eu não me falho a memória, hoje temos 14 obras importantes em andamento no nosso município. E, realmente, duas delas vêm gerando bastante repercussão: a da Rua Oswaldo Cruz e a do Hospital Regional.

A obra na Oswaldo Cruz representa um investimento de mais de R$ 6 milhões. É uma intervenção necessária — vocês sabem que sempre tivemos problemas de alagamento ali na região da UPA. Essa obra, tecnicamente, foi pensada justamente para resolver essa questão. Está sendo instalada uma nova tubulação de grande porte no local.

Claro, obras como essa acabam gerando transtornos no trânsito, e a população sente. Mas eu costumo dizer: o transtorno passa, e a obra fica. Não tem como fazer uma omelete sem quebrar os ovos, né?

E sobre o hospital?

O hospital é outra obra que está em andamento. Neste momento, estamos realizando a abertura das ruas no entorno, meio-fio, calçadas… A via principal será uma avenida dupla, com pavimento em concreto. Toda essa área foi uma doação da família Possan ao município, e desde já deixo aqui nosso agradecimento a eles.

Quanto ao projeto do hospital, inicialmente recebemos o modelo do Hospital de Ivaiporã, doado pelo então secretário estadual de saúde, Beto Preto. No entanto, quando começaram os estudos mais aprofundados, houve mudanças na legislação da vigilância sanitária, exigindo alterações no projeto original.

Foi numa reunião em Curitiba, com o ex-prefeito Heraldo e o Gile, que o próprio governador do estado analisou o projeto e disse: “Trento, precisamos jogar esse projeto fora — no bom sentido — e começar um novo”. A proposta passou a ser de uma construção totalmente horizontal, e não mais vertical, como o projeto anterior. Isso porque construções horizontais são mais rápidas, mais eficientes para a operação de um hospital regional e se encaixam no programa Paraná Competitivo.

Hoje, o novo projeto está dentro desse programa e pronto para execução. O prefeito já montou um grupo de trabalho para dar andamento a ele. A estimativa é de uma construção com entre 6 mil e 8 mil metros quadrados, com 100 leitos, sendo no mínimo 10 de UTI. Foi o próprio deputado Hussein Bakri quem confirmou essa informação na última visita que fez a Guaíra, afirmando que o governador já autorizou o investimento.

Já existe uma previsão de conclusão?

Olha, previsão de obra é sempre algo que pode mudar. Mas, trabalhando com estimativas, acreditamos que em 2026 a construção esteja em ritmo acelerado e, entre o segundo semestre de 2027 e o início de 2028, o hospital já possa entrar em funcionamento.

Hoje, o nosso Assiste conta com 50 e poucos leitos — e vive lotado. Esse novo hospital vai desafogar bastante o atendimento, ampliar nossa capacidade, e mesmo que alguns casos continuem sendo encaminhados para fora, o ganho para a saúde de Guaíra será enorme.

Falando ainda da região da Oswaldo Cruz, como estão os projetos comerciais por ali?

Temos duas frentes bem visíveis. O Max Atacadista, que está com a obra acelerada e deve ser inaugurado entre o fim de agosto e início de setembro. Os funcionários já foram contratados e estão em treinamento. Já a rede Amigão também manifestou interesse e um terreno foi adquirido por uma construtora para locação futura. São investimentos que fortalecem a economia local e geram empregos.

Como foi o processo de escolha para a vaga de vice-prefeito?

Nosso grupo político adota um processo coletivo. Em 2024, fui um dos quatro nomes colocados à disposição. Fizemos uma votação interna e, depois, uma pesquisa popular com o instituto Paraná Pesquisas, que apontou meu nome com 21% das intenções. O segundo colocado foi o Guilherme Vanin, que acabou concorrendo à prefeitura por outro grupo. A partir daí, formamos a chapa Gile e Ferroquina, e vencemos com mais de 62% dos votos. Foi uma vitória da união entre PSD, PL, União Brasil e Progressistas.

E qual o papel do ex-prefeito Heraldo Trento na sua formação política?

O Heraldo foi um divisor de águas para Guaíra. Trouxe a mentalidade de gestão empresarial para a administração pública, valorizando os secretários e exigindo resultados. Sempre disse que cada secretário era dono do seu orçamento. Ele também foi um exímio buscador de recursos, com grande capacidade de articulação política. Além disso, formou novas lideranças — o próprio Gile é reflexo disso. Levo muitos ensinamentos do Heraldo para a vida.

Como é a convivência com o atual prefeito Gileade?

A relação é excelente. A amizade começou antes da política, quando ele era diretor de Cultura e eu atuava na parte elétrica da Festa das Nações. Sempre mantivemos respeito, parceria e bom diálogo. O Gile é um gestor que compartilha decisões, ouve a equipe e valoriza o trabalho coletivo. Isso fortalece a administração. É um irmão que a vida me deu.

Para encerrar, responda: quem é o guaírense Luís Ferroquina?

Sou um filho de Guaíra, com muito orgulho. Nascido e criado no Cruzeirinho, onde ainda moro. Casado com a Vera Lúcia, pai do Luiz Gustavo. Já trabalhei fora, mas como dizem: quem bebe água de Guaíra, sempre volta. Amo essa cidade e acredito que a política, quando feita com seriedade, é uma ferramenta poderosa para transformar a vida das pessoas.

Fotos: Redes Sociais/John Xisto

Administrativo RPN

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